Sinte - Regional de Joinville

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sábado, 11 de junho de 2011

Cansei de lei...

“É greve, é greve, é greve, é greve, é greve. Até o governo pagar tudo o que nos deve.” É neste embalo que os servidores públicos estaduais de SC entonam a greve que se iniciou em 18 de maio deste ano e que perdura até hoje sem a expectativa de um fim positivo à parte docente.

Bem, como também faço parte da força grevista, estou participando dos atos públicos que normalmente acontecem diariamente. Percebo a tamanha decepção dos professores, AEs, ATPs e até de algumas comunidades e alunos que lutam juntos pela aplicação do piso salarial dos professores de SC. Em qualquer canto da cidade, onde há multidão, provavelmente é um grupo que está em greve: seja municipal ou estadual, seja da saúde ou da educação. Todos pela luta à conquista de um salário digno e compatível ao trabalho feito que se tem ao atendimento público, que em algumas vezes, melhor dizendo, muitas vezes, não há nem sequer um copo para beber água, desejando matar a sede de um dia exaustivo e estressante de um serviço público.

Penso aqui, com minhas ideias de uma simples professora de Língua Portuguesa dos Ensinos Fundamental e Médio, que não haveria necessidade de se ter greve na educação estadual, pois na LDB ( Lei de Diretrizes e Bases da Educação) se tem bem claro, no capítulo VI, artigo 67:

Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público:

1. Ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos;

2. Aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim;

3. Piso salarial profissional;

4. Progressão funcional baseada na titulação ou habilitação, e na avaliação do desempenho;

5. Período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho;

6. Condições adequadas de trabalho.

Como se vê, nenhum destes itens de valorização funciona até hoje. Desta forma, me pergunto como o governo lidará com uma situação, por exemplo, de daqui a cinco ou dez anos, não existir mais o professor? Pois claro, com um plano de carreira fúnebre, não praticado, mas apoiado somente pela lei e não pelos governantes, meus alunos optarão por outras profissões, exceto pela de professor. Então cabe a nós, professores, ensinarmos aos governantes que ler a LDB pode ser uma grande tarefa de casa, pois teremos uma “ provinha” na semana seguinte.

Salários baixos, falta de concurso público, cargos comissionados em escolas, falta de verbas, quer dizer, desvios de verbas. Toda a categoria do magistério sabe que muitos recursos são desviados e o destino deles, ah, só o governo sabe...

Professora Francine Rengel
Joinville, 09 de junho de 2011, às 10h46min.

Um comentário:

  1. É infelizmente as leis não são para ser cumpridas por todos. Nada contra, mas os bombeiros do RJ pararam o Rio por um piso salarial de R$ 2 mil e nos professores de SC estamos lutando por piso de R$1.187,08.

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