Sinte - Regional de Joinville

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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Em boca fechada não entra Mosca


Deschamps culpa greve dos professores pela queda do IDEB de SC

“Na avaliação do vice-presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), Eduardo Deschamps, greves de professores de redes estaduais e municipais em todo o país tiveram impacto nas notas do Ideb 2013 (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), pelo MEC (Ministério da Educação)”.
O SINTE/SC questiona a posição do Secretário Dechamps e afirma que o problema da queda de SC no IDEB 2013 não está de forma nenhuma ligado ao fato de que os/as professores/as entraram em greve pela aplicação da Lei do Piso em 2011. Lembramos ao Secretário que a categoria participou de inúmeras greves mais longas e mais frequentes e nem por isso foi registrada queda do IDEB no estado.
O problema é muito maior do que o as greves que ocorreram e não pode ser ignorado pelas autoridades que se omitem da responsabilidade e jogam a culpa na categoria.
Aconselhamos ao secretário que leia o relatório da OCDE colocando o Brasil no topo do ranking de violência nas escolas e Santa Catarina não está fora da lista. De acordo com a “pesquisa global feita com mais de 100 mil professores e diretores de escola do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio (alunos de 11 a 16 anos) põe o Brasil no topo de um ranking de violência em escolas”.
Na enquete da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 12,5% dos professores ouvidos no Brasil disseram serem vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana. Trata-se do índice mais alto entre os 34 países pesquisados.
Estudo também revelou que apenas um em cada dez professores no Brasil acreditam que a profissão é valorizada pela sociedade 12,6%), a média global é de 31%.
O Brasil está entre os dez últimos da lista nesse quesito, que mede a percepção que o professor tem da valorização de sua profissão e não se sentem apoiados e reconhecidos pela instituição escolar e se veem desconsiderados pela sociedade em geral.
Podemos explicar os índices do IDEB se levarmos em consideração que Santa Catarina paga um dos piores salários do país, e com seus/as profissionais desmotivados, adoecidos e sofrendo constante violência física, simbólica e institucional no ambiente escolar, acrescido ao fato de que os/as alunos/as trazem problemas do cotidiano para dentro das escolas e estas não conseguem lidar com estas demandas, tanto no aspecto pedagógico quanto no aspecto físico (estruturas).
Para o historiador Danilo Alexandre Ferreira de Camargo o adoecimento e a deserção dos professores da escola acontecem em função do cotidiano escolar ser insuportável para a maioria dos profissionais da educação.  A tentativa é sempre colocar a escola nos eixos, nunca questioná-la como instituição.
O pesquisador acredita que isto ocorre devido a forma particular de “condução das condutasno interior da instituição escolar”. Ou seja, o estado é quem estabelece quais devem ser as condutas e como os/as profissionais e alunos/as devem ser conduzidos/as. Isso naturaliza a burocratização e produz formas de conduta adequadas ao interesse do governo para serem geridas pelos comandos políticos do Estado.
Partindo da ideia de que existe uma crise, como a greve ou a Lei do Piso, depois é feito o diagnóstico da patologia, e sua posterior proposta de medicalização e é claro quem deve ser medicado são os/as professores/as. E governo nunca é diagnosticado e nem recebe medicação. Não é possível que diante de evidências tão contundentes se continue a responsabilizar o setor mais penalizado dentro da educação que são seus/as profissionais.
O SINTE/SC repudia a fala do Secretário e alerta que o mesmo deveria parar para pensar em todas as variáveis antes de emitir juízo de valor. É necessário que governo e sociedade discutam seriamente a educação pois corremos o sério risco de num futuro bem próximo não termos mais profissionais dispostos/as a atuarem nela. Então sim teremos o verdadeiro caos.



http://sinte-sc.org.br/trabalhadores-da-educacao/em-boca-fechada-nao-entra-mosca/

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