Sinte - Regional de Joinville

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terça-feira, 7 de maio de 2013

REENTURMAÇÃO: GOVERNO ATACA SINTE E DIZ QUE PROBLEMA NÃO EXISTE

Secretário afirmar que existem FACÇÕES no sindicato e coloca os Trabalhadores em Educação no mesmo nível de organizações criminosas

Em entrevista concedida a Rádio Eldorado de Criciúma, em 03/05, o Secretário Eduardo Deschamps em mais uma declaração desastrosa acusou o Sindicato de estar usando as manifestações contra o processo de reenturmação politicamente por estar em processo eleitoral.

Ignora o secretário que a luta contra a reenturmação não é nova. A própria Lei 170 por ele citada, nasceu em um destes embates e nossa luta foi a de estabelecer em Lei critérios claros sobre o espaço físico das salas de aula e o número de alunos, exatamente para evitar que a superlotação das salas continuasse acontecendo, mas parece que entra ano sai ano e o problema volta a aparecer.

O secretário pode afirmar o que ele quiser afinal estamos em uma democracia e a liberdade de expressão deve ser respeitada, mas acusar o SINTE de fazer uso eleitoreiro de um fato que seguramente afeta a professores/as e alunos/as tanto na questão pedagógica quanto emocional é um total desconhecimento do que acontece no dia a dia das escolas.

Afirmar que existem FACÇÕES no sindicato é colocar os/as trabalhadores/as de educação no mesmo nível de organizações criminosas. As facções que existem estão dentro das penitenciarias e nas ruas aterrorizando a população como vimos durante a crise da segurança pública, em que o governo precisou da ajuda da força nacional para controlar a situação.

Não estamos criando fatos e discussão absolutamente artificiais e nem incitando alunos, também não prestamos desserviço à sociedade e nem criamos “polêmica numa questão que NÃO EXISTE”.  A questão existe sim e como educadores estamos alertando pais e alunos/as sobre o problema, e estes/as ao fazerem suas manifestações, estão apenas exercendo seu direito à livre manifestação, num ato de protesto e cidadania. E educar para a cidadania é um preceito constitucional, e é nossa função.

Alertamos ao secretário que quem é afeito a discursos eleitoreiros é o governo, e este artifício é comumente usado na época de campanha para ganhar votos e esta gestão anunciava em alto e bom tom em sua campanha que a educação e saúde e segurança seriam prioridades, mas a realidade que vivemos é bem outra.

Alertamos ao secretário que dentro do SINTE não existem FACÇÕES, somos todos professores e merecemos respeito. Além disso, como entidade representativa, temos direito à livre manifestação e a obrigação de defender a categoria e os/as alunos/as. Lembramos também ao Sr. Secretário que dentro de um regime democrático como todas as demais entidades representativas da sociedade também fazemos eleições.

Temos diferenças políticas como é natural em uma democracia, afinal Nelson Rodrigues afirmava que, “toda a unanimidade é burra”. A diferença não significa divisão, ela é dialética e representa respeito e maturidade e a humanidade só chegou ao atual nível de desenvolvimento não pela unanimidade, mas sim pela diferença de ideias e opiniões e é desta forma que conduzimos o Sindicato.

Nem pais e nem alunos votam nas eleições sindicais e a iniciativa de se mobilizarem contra um amontoado de alunos por sala de aula é legítima, e deve ser apoiada por nós, por isso o fazemos. Os professores também não são obrigados a aceitar calados as ordens da secretaria e trabalhar em salas abarrotadas com mais de 40 alunos, situação que certamente os levará a um esgotamento físico e emocional ainda maior daquele que já vivem pelo acumulo de trabalho.

Não é necessário que o SINTE faça a cabeça de alunos/as e pais/mães para que protestem contra as enturmações. Eles não precisam disso, pensam por si mesmos e estão vendo a verdade, convivendo com o descaso no dia-a-dia das escolas. E não são apenas manifestos, as comunidades escolares estão fazendo denúncias ao Ministério Público, por descumprimento da legislação e as reenturmações já estão sendo canceladas em alguns municípios. O governo pode afirmar que cumpre a legislação, mas não é este o entendimento de parte do poder judiciário.

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